23-10-2026

Os primeiros resultados do ALSEMAC começam a ganhar forma, na sequência da reunião anual dos parceiros do projeto, que decorreu entre 7 e 9 de outubro na Madeira. O encontro reuniu universidades, centros de investigação, administrações públicas, organizações do setor agrícola e entidades sociais da Macaronésia e da África Ocidental.
A reunião permitiu partilhar avanços nas três grandes áreas do ALSEMAC: a análise da segurança e da composição dos alimentos, o desenvolvimento de práticas agrícolas mais sustentáveis e o estudo da perceção dos cidadãos. Permitiu também comparar metodologias e coordenar a fase seguinte dos trabalhos na Macaronésia e na África Ocidental.
Segurança e composição dos alimentos
Um dos principais marcos do encontro foi a apresentação dos resultados da análise de centenas de amostras de alimentos de origem vegetal e animal comercializados nas Canárias e na Madeira, que não revelaram níveis acima dos limites estabelecidos para os contaminantes químicos em estudo, por exemplo pesticidas.
No entanto, os resultados apontam para a conveniência de continuar a monitorizar a exposição em determinados alimentos e grupos populacionais. Para esse efeito, o projeto adaptou e validou metodologias específicas para analisar este tipo de alimentos.
Foi também apresentada uma primeira caracterização de terras raras em alimentos de origem animal. Trata-se ainda de uma abordagem inicial, que deverá ser complementada com um maior número de amostras antes de se realizar uma avaliação integral da exposição e do possível risco.
Os trabalhos de amostragem estão também a ser alargados a Cabo Verde, Senegal, Gana e Costa do Marfim. Nestes países, as entidades parceiras estão a avançar na recolha de amostras de alimentos de origem vegetal e animal, incluindo produtos lácteos, bem como na sua preparação para posterior análise.
Perceção dos cidadãos e comunicação da segurança alimentar
As jornadas serviram também para divulgar os resultados dos inquéritos sobre a perceção dos riscos alimentares realizados nas Canárias, Madeira, Açores, Cabo Verde e Costa do Marfim. As 2.706 respostas recolhidas permitem cruzar informação sobre a escolha alimentar das pessoas, a perceção do risco e o ecossistema informativo, identificando as lacunas existentes entre as preocupações dos cidadãos e a informação que recebem.
Esta linha de investigação já deu origem a um primeiro artigo científico sobre consumidores urbanos da Costa do Marfim.
Produção sustentável, controlo biológico e valorização de resíduos
Os ensaios de alternativas destinadas a reduzir a utilização de produtos fitossanitários também tiveram destaque na Madeira. Foi apresentado o trabalho de monitorização de pragas que afetam determinados alimentos, bem como o estudo para a transformação de resíduos agrícolas e outros materiais orgânicos locais em biochar, composto, bokashi e vermicomposto. Estes produtos estão a ser testados em determinadas culturas, ao mesmo tempo que decorrem atividades de formação e ensaios de campo com diferentes estratégias de fertilização.
Do laboratório até à população: ALSEMAC nos Açores
Nos Açores, a Universidade dos Açores e a Fundação Gaspar Frutuoso têm vindo a desenvolver trabalho em áreas centrais do projeto ALSEMAC, nomeadamente na recolha de alimentos de origem vegetal e animal, incluindo algumas espécies de pescado, com particular atenção a produtos de interesse para a região e produzidos localmente. Estas amostras estão a ser analisadas para monitorização de contaminantes químicos, permitindo aprofundar o conhecimento sobre a segurança dos alimentos consumidos nos Açores.
Os resultados analíticos serão posteriormente cruzados com dados de consumo alimentar dos açorianos, recolhidos no âmbito do projeto, de forma a complementar a informação obtida nos Açores através do Inquérito Alimentar Nacional 2015-2016. A Universidade dos Açores e a Fundação Gaspar Frutuoso estão ainda a trabalhar na monitorização de pragas-chave de culturas e na elaboração de fichas fitossanitárias, fichas técnicas e manuais de culturas com interesse para a região, integrando estratégias de proteção integrada, e dirigidos a produtores, associações agrícolas e administração pública. Estes trabalhos em curso foram apresentados nas jornadas realizadas na Madeira.
Esta participação reforça o papel dos Açores no ALSEMAC, aproximando o conhecimento científico das necessidades concretas do território e contribuindo para sistemas alimentares mais seguros, saudáveis e sustentáveis, assentes na valorização da produção local, na proteção das culturas e na informação ao consumidor.
As Canárias têm um peso importante nesta iniciativa, na qual participam a Universidade de La Laguna, o Instituto Tecnológico de Canárias, o Instituto de Produtos Naturais e Agrobiologia do Conselho Superior de Investigações Científicas — IPNA-CSIC —, a Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, o Instituto Canário de Investigações Agrárias — ICIA —, a Plátano de Canarias — ASPROCAN — e o Cabildo de Gran Canaria, através da Conselharia do Setor Primário, Soberania Alimentar e Segurança Hídrica.
A Madeira está representada pela Secretaria Regional de Agricultura e Pescas do Governo Regional.
O projeto ALSEMAC é uma iniciativa centrada na promoção da produção e do consumo responsável de alimentos seguros, saudáveis e sustentáveis — Triple-S — num enquadramento de economia circular. É cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional — FEDER — através do Programa Interreg VI-D Madeira-Açores-Canárias — MAC 2021-2027.
Mais informação: https://alsemacproject.com
Contacto de imprensa:
David Horta Lopes - david.jh.lopes@uac.pt
Professor associado com agregação | Responsável pelo projeto ALSEMAC na Universidade dos Açores
Ana Teresa Madeira Sarmento - ana.tp.sarmento@uac.pt
Investigadora Post-doc do projeto ALSEMAC na Universidade dos Açores | Fundação Gaspar Frutuoso